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                                                                                                                     @lecypereira

De vez em quando eu dou uma olhada nos SPAMs que me chegam. Se fosse olhar todos, até a abertura de Cassinos em Marte me passaria despercebido. Um deles me chamou a atenção de forma peculiar pelo título: "Quero te conhecer lexy"... hmmm - pensei - a começar pelo ato falho do nome, essa seria uma vontade difícil de ser satisfeita. Daí eu o abri pensando: " deve ter material para um texto irônico". Eis o conteúdo:

"Paquerar não é só para solteiros. Para muitas pessoas, paquerar online é apenas o impulso que a relação delas precisa para manter a emoção.

Fuja da rotina e reavive suas paixões com  "Meia Sola" Love.
 
Muitas mulheres preferem uma relação mais próxima, onde elas possam receber a atenção extra que não recebem em casa. Fuja da monotonia da sua relação com uma paquera discreta ou algo mais...
 
Um estudo recente realizado pelo "Meia Sola" Love, revela que 82% dos seus usuários consideram um "paquera" um estimulante à sua criatividade. Cada vez mais e mais casais (casados) decidem, por diversas razões, dar um novo estimulante (faísca) para os seus relacionamentos existentes, tendo um caso.

Começe a sua aventura por se inscrever, gratuitamente, no "Meia Sola" Love.

Daí eu passei a me indagar: será esse um texto de marketing desobrigado de oferecer dados fidedignos para convencer internautas loucos por fantasias do gênero? Será essa minha pergunta hipster demais e eu vivo querendo problematizar coisas corriqueiras como os jogos de prazer dos casais? Não seria mais fácil eu ter deletado o disparo publicitário robótico? Hmmm... Seria essa uma pós revolução sexual comunista-capitalista sobre a qual a escritora Camile Paglia poderia escrever fascículos semanais? O que diria Simone de Beauvoir após seu catatau "O segundo sexo", publicado em 1949 ( hoje temos o terceiro e partindo para o quarto)?

Em linhas bem gerais, o spamail propunha que eu aderisse, por meio de módicas mensalidades, a um site de "casos" extraconjugais. Sabendo que há os especializados para maridos e os especializados para esposas. Há também aqueles que atendem os dois ao mesmo tempo.

Diante do exposto, eu concluo: o romance Madame Bovary, de Gustav Flaubert, que tanto escandalizou a sociedade em sua época, soa como um conto de fadas onde Ema Bovary, a personagem principal, poderia ter sido mais feliz.

A despropósito, eu não me enquadro no perfil do suposto site de recreio conjugal.


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