Qualidade da Educação X Presença da BIBLIOTECA (e bibliotecário): Índice de desenvolvimento na escola aumenta naquelas em que há bibliotecas de qualidade, afirma estudo [Portal VozdoCLIENTE]

Qualidade da Educação X Presença da BIBLIOTECA (e bibliotecário): Índice de desenvolvimento na escola aumenta naquelas em que há bibliotecas de qualidade, afirma estudo Geral (Fonte indicada)





Sumário do Relatório:

Há muito debate-se no Brasil e no mundo a importância da qualidade da educação no desenvolvimento de longo prazo de um país. Assim, é hoje consenso que países com melhor educação básica são sociedades menos desiguais e com maiores taxas de crescimento econômico. Mais especificamente, sociedades melhor educadas possuem maiores taxas de inovação e assimilação de novas tecnologias, com agentes econômicos mais pro-dutivos e com consciência plena de sua cidadania.

Na edição de 2015 do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, da sigla em inglês), exame aplicado pela OCDE para alunos de 15 anos, o Brasil ocupou a 63ª posição em ciências, a 59ª posição no ranking de leitura e 66ª no de matemática. Não são somente nos exames de proficiência que o Brasil deixa a desejar. Em 2015, cerca de 15% dos jovens de 15 a 17 anos estava fora da escola e a última edição do INAF (Indicador de Analfabetismo Funcional) mostrou que 27% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. A despeito da necessidade de melhorar os indicadores de leitura do país, em 2015, o governo federal abandonou o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O programa foi implementado em 1997 e é direcionado à aquisição e à distribuição de obras literárias às escolas públicas de educação infantil (creche e pré-escola), anos iniciais e finais do ensino fundamental (1º ao 5º e 6º ao 9º ano), educação de jovens e adultos (ensino fundamental e médio) e ensino médio, com acervos de títulos de diversos gêneros literários, como crônica, novela, romance, bibliografia, teatro, poema, livros de imagens, histórias em quadrinhos, entre outros.

Além da interrupção da aquisição de livros literários, a existência de bibliotecas em todas as escolas brasileiras está longe de ser uma realidade no Brasil. É verdade que a disponibilidade de bibliotecas e salas de leitura vem aumentando nos últimos anos. Todavia, em 2015, apenas 49% das escolas brasileiras (incluindo as particulares) tinha biblioteca ou sala de leitura. Tais números são ainda mais graves quando se analisa as distinções entre as regiões brasileiras, evidenciando assim forte desigualdade na distribuição de recursos escolares e, por conseguinte, de oportunidades para os alunos. A Região Norte, por exemplo, tinha apenas 30% das escolas com biblioteca no ano de 2015.

Com tamanho déficit de bibliotecas, ficam limitadas as ferramentas que as escolas possuem para melhorar o aprendizado. Claramente, a mera existência de bibliotecas nas escolas não garante a qualidade do encontro aluno-livro nem a integração destas ao projeto de ensino e aprendizagem da escola. Características das bibliotecas como o tamanho do acervo, o uso deste por parte de professores e alunos, a disponibilidade de atendimento das bibliotecas e o perfil dos responsáveis são importantes variáveis no sucesso na formação de leitores.

Neste contexto se insere a pesquisa Retratos da Leitura em Bibliotecas e Espaços de Leitura Escolares nas escolas promovida pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Insper e a OPE Sociais. Embora o Ministério da Educação, através do INEP1, divulgue uma quantidade massiva de informações e estatísticas a respeito da infraestrutura escolar e nível de proficiência dos alunos, muito pouco há sobre as características e qualidades das bibliotecas escolares no Brasil.

A Retratos da Leitura em Bibliotecas e Espaços de Leitura Escolares contribui com o debate público ao evidenciar de forma inédita em larga escala a relação entre as características das bibliotecas escolares e dos recursos humanos associados ao desempenho dos alunos em língua portuguesa. Foram 465 escolas entrevistadas em 17 estados da federação, com mais de 500 perguntas distribuídas entre 3 atores principais das escolas: o diretor ou coordenador pedagógico, o profissional responsável pela biblioteca e um professor de 5º ano (usualmente, o professor de língua portuguesa).

A partir da base de dados do campo, 7 indicadores foram criados para cada escola amostrada a fim de sintetizar as informações dos questionários. São estes: Indicador de Funcionamento da biblioteca, Indicador de Estrutura física e manutenção, Indicador de Uso da biblioteca para desenvolver atividades, Indicador do Acervo, Indicador da Atuação do responsável pela biblioteca, Indicador da Atuação do professor e Indicador de Recursos eletrônicos.


Entre os resultados principais, encontrou-se que 4 dos 7 indicadores estão associados com o desempenho dos alunos. Mais especificamente, se compararmos a pior com a melhor escola com relação ao funcionamento da biblioteca, o desempenho em Português aumenta 5 pontos na escala SAEB, o que equivale a ½ ano de aprendizado entre o 5º e 9º anos. A tabela abaixo resume as relações entre os indicadores e o aprendizado.

A escola com melhor espaço físico tem um IDEB 0,2 maior que a escola com pior espaço. Para efeito de magnitude, o Brasil inteiro cresceu 0,3 ponto no IDEB entre 2015 e 2017. A mesma magnitude de correlação tem o indicador de uso da biblioteca, embora para as escolas mais vulneráveis, a correlação chega a 0,5. Resultado também sugere que a presença de um responsável qualificado que cuide da biblioteca e participe de atividades pedagógicas é relevante no aprendizado. A magnitude do efeito no desempenho em Português é de 4 pontos (SAEB), ou 1/3 de um ano de aprendizado entre o 5º e 9º anos. O efeito é ainda mais forte nas escolas mais vulneráveis: 16 pontos (SAEB).

A presença de um professor que se envolva em atividades de pesquisa e leitura, e incentive os alunos a frequentarem a biblioteca aumenta o desempenho em Português em até 7 pontos na escala SAEB, o que representa 63% de um ano de aprendizado. Também existe uma correlação alta e positiva do indicador com o IDEB, equivalente a duas vezes o que o Brasil cresceu em termos de IDEB de 2015 a 2017. O indicador de acervo tem correlação positiva com desempenho (apesar de alguns casos estatisticamente não significantes) nas três medidas testadas.

O indicador de recursos eletrônicos tem correlação positiva e significante de 9 pontos (SAEB) em Português, 10 pontos em Matemática e 0,4 pontos no IDEB. O indicador de coesão entre as avaliações dos atores (diretor, responsável pela biblioteca, e professor) sugere que estes concordam em grande parte dos indicadores. A exceção é quando diretor e professor avaliam a atuação do professor em relação à biblioteca.

Claramente, esta pesquisa não esgota as possibilidades de análise a partir dos dados e buscou-se sintetizar as informações da base de dados com o intuito de fornecer um panorama de quais são os aspectos relacionados às bibliotecas escolares que são facilitadoras do aprendizado. Certamente, pesquisas futuras abordarão os pormenores dos indicadores aqui criados.

Fonte: SNEL (https://snel.org.br).

O relatório pode ser visto na íntegra no link abaixo:



Veja aqui: Retratos da Leitura em Bibliotecas e Espaços de Leitura Escolares


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